Manifesto XXII

A práxis teórica requer disciplina e aptidão. O artista tem a tarefa de
entregar ao mundo uma nova visão do seu século. Em uma realidade onde
domina o caos no meio-ambiente, os laços entre a arte e a
natureza devem ficar mais fortes. A Arte Abstrata do início do século XX
rompeu com a tradição figurativa, colocando a razão à sua frente.

Nos tempos atuais, os artistas se dividem. Como unir novamente essa
dissociação? DJs, como Alok, que desenvolveu um projeto com as tribos do
Acre Yawanawá e Huni Kuin, esta que também está inserida no meio
artístico internacional, marcam o momento em que a união da música
com a ancestralidade dos povos indígenas toma um rumo atual, com os
indígenas da tribo cantando rap em seu idioma. Neste cenário de
desconexão com o mundo, como inserir a natureza no meio das discussões,
quando o próprio indivíduo não tem consciência do seu papel social?

A Biomimética, que é a área da ciência que estuda os princípios
criativos e estratégias da natureza, visando a criação de soluções para os
problemas atuais da humanidade, unindo funcionalidade, estética e
sustentabilidade, faz estudos com indústrias que dejetam nos rios,
produzem gás e não procuram por energia limpa.

Os artistas abstratos oferecem uma visão do futuro. Nele, cores, formas
e o espaço ditam o ritmo do progresso. De 1932 à 1936 aconteceu
a criação da abstração. Deste ponto em diante, o mundo mudou.
O signo do ente adquiriu sentido. A mímese toma forma no indivíduo
observador. O plano estrutural da missão do artista é discernir entre
o concreto e o abstrato nesse momento decisivo de mudança espiritual.

A música está presente nessa caminhada. Artistas do gênero IDM
(Intelligent Dance Music), com músicas cerebrais e descompassadas como
Coldcut, com sua “Timber”, protestam contra a destruição da natureza.

A ciência e a matemática tomam parte deste processo. Em um mundo
cada vez mais conectado, bits e bytes regem as ações cotidianas.
Câmeras de reconhecimento facial identificam cada ser do planeta.
Robôs cada vez mais estão tomando o lugar dos humanos.
Carros autocondutores tornam a vida do ser humano mais confortável.

Na história, a conquista da II Guerra Mundial pelos Americanos
ocidentalizou o fluxo de profissionais de outros países da Europa,
principalmente da Alemanha. Na Bauhaus de Weimar e Dessau, se fazia
publicidade como forma de garantir a sobrevivência. Quando a escola de
Weimar foi encerrada, os professores em sua maioria se mudaram para os
Estados Unidos da América e lecionaram nas Universidades de Harvard,
Black Mountain College e New Bauhaus.

A Bauhaus então se tornou uma escola privada, em Berlim.
O anterior Instituto Superior de Forma foi transformado em
Instituto Superior de Ensino e Pesquisa Técnica.


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